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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Conceição Lima e Wole Soyinka
Minha querida Conceição Lima com o Nobel nigeriano da Literatura Wole Soyinka, no Brasil, em novembro de 2012. São Lima foi a intérprete do escritor na Bienal que aconteceu em Fortaleza! Nessa sessão, foi lançada a tradução brasileira do livro dele, "O Leão e a Joia".
![]() |
| Professor Pinheiro, Secretário de Cultura do Ceará, Conceição Lima e Wole Soyinka. |
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Uma carta de AQ.
Meu amigo AQ, não posso guardar só pra mim tanta beleza...
"Querida, amiga querida:
Estava eu pensando em você e senti não somente carinho como vontade de lhe escrever assim, sem mais, agora, falando de um fim de ano que é, ao mesmo tempo, o começo de uma nova virada na sua vida depois desses anos de Equador.
Naduska e seu gatil transatlântico.
Naduska e sua poesia.
Naduska, seus sonhos e suas vontades.
Naduska e sua palmeira aos ventos transplantada.
Ter ido à linha de Equador me deu, entre outras coisas, a oportunidade de constatar que não existe geografias contra a amizade, o carinho, os afetos.
Naduska Palmeira no meio de tudo isto.
Como vinho.
De palmeira.
Como diria João Cabral,
"Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro".
Como uma flor mesmo equilibrada sobre a linha do horizonte
onde Naduska.
Muito obrigado, minha amiga.
Dezembros outros venham, e que não venham em vão."
Estava eu pensando em você e senti não somente carinho como vontade de lhe escrever assim, sem mais, agora, falando de um fim de ano que é, ao mesmo tempo, o começo de uma nova virada na sua vida depois desses anos de Equador.
Naduska e seu gatil transatlântico.
Naduska e sua poesia.
Naduska, seus sonhos e suas vontades.
Naduska e sua palmeira aos ventos transplantada.
Ter ido à linha de Equador me deu, entre outras coisas, a oportunidade de constatar que não existe geografias contra a amizade, o carinho, os afetos.
Naduska Palmeira no meio de tudo isto.
Como vinho.
De palmeira.
Como diria João Cabral,
"Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro".
Como uma flor mesmo equilibrada sobre a linha do horizonte
onde Naduska.
Muito obrigado, minha amiga.
Dezembros outros venham, e que não venham em vão."
Fim de período
Chegamos, finalmente ao fim do ano e ao quase-fim do primeiro semestre letivo no ISP-STP, 2012/13.
Deixo São Tomé na próxima sexta para apresentar, na Universidade de Lisboa, um trabalho sobre Caetano da Costa Alegre, poeta são-tomense, uma espécie de precursor da literatura deste país (1864-1890).
Me despeço, assim, do ano com uma poesia de Costa Alegre:
Ergui meu olhar cansado e pesaroso
Para a amplidão do espaço imenso e luminoso,
A procurar
Deus.
Interroguei o sol, a estrela vespertina
A lua cintilante, alvíssima,
argentina,
E a imensidão dos céus.
E o sol, a estrela, a lua, os céus, o
espaço...tudo
Num coro misterioso, indefinível, mudo,
Me respondeu então:
-Se
queres ver o Deus, para ti imaginário,
Abre, ó louco poeta, ó doido
visionário,
Os olhos da Razão.
Artigo de Conceição Lima no Téla Nón
Acesse o link:
http://www.telanon.info/suplemento/opiniao/2012/12/11/12003/patrice-trovoada/
http://www.telanon.info/suplemento/opiniao/2012/12/11/12003/patrice-trovoada/
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Silêncio, por favor...
domingo, 11 de novembro de 2012
Sorriso de Conceição.
No dia 08 de novembro, no Café Avenida, cidade de São Tomé, dei um abraço forte na minha amiga São Lima.
Noticiar um abraço é vital para os dias de hoje, em que apenas se noticiam tragédias, anunciadas ou não, e os jornais só dão desgosto... ou acendem o gosto pelo supérfluo como forma de evasão...
O nosso abraço seguiu-se de um conversa muito rápida, pois a poetisa partiria para o Brasil no dia seguinte, e estava feliz. Ora, São Lima estava feliz, com um sorriso aberto, com seu olhar inconfundível e perscrutador, atento a cada movimento que se seguia no Café. E atenta, ela, à nossa conversa que demorou em média 10 minutos, junto à entrega de uns "Versos" para que eles voassem para o Brasil (mais precisamente, pro Ceará).
Depois do abraço final, de boa viagem, que tudo corra bem por lá, que aqui as coisas fiquem bem também, voltei para casa com a imagem da São na minha cabeça: São sorria, um pouco eufórica, talvez, e sorria grande, sorria de um sorriso que lhe iluminava a cara. Como podem 10 minutos valerem horas de felicidade, horas de deleite? Em meio às dificuldades de São Tomé - por que ambas passamos, cada uma a seu jeito - 10 minutos valem até hoje pra mim, ressoam, ecoam em alegria, por saber que São está no Ceará, revendo amigos antigos, conhecendo pessoas novas, dando a conhecer seus poemas, falando de si, falando de sua terra.
Ousei escrever esse pequeno texto sobre o sorriso da São para transformar a minha sensação, abstraída na volta pra casa naquele dia 8 de novembro, em palavras concretíssimas que embora não expressem um centésimo do que eu carrego comigo, de alguma maneira deixam firmadas as minhas impressões daquele encontro sorridente. Scripta manent.
Voilà!
Para a São Além-Oceano, de mim, que aqui fiquei lembrando-me do seu sorriso.
Vamos comer Caetano?
Senhoras e senhores,
boa noite.
É com muita satisfação que a
Embaixada do Brasil, o Centro Cultural Brasil – São Tomé e Príncipe e o
Leitorado Brasileiro – por ter trabalhado na edição –, que hoje é representado
por mim, estão aqui hoje para acender novas luzes sobre o poeta são-tomense
Caetano da Costa Alegre, fazendo uma revisão do séc. XIX para o lermos hoje no
séc. XXI, com a atemporalidade digna de um artista.
Não me estenderei em análises de sua
obra, pois a professora do Instituto Supeior Politécnico Sónia Almeida, nossa
convidada, o fará com pormenores. Apenas gostaria de ressaltar aqui a
importância do lançamento e da disponibilização de uma obra que é fundamental
para a literatura deste país, e que se quedava muda desde 1994, quando de sua
última edição pela Imprensa Nacional/Casa da Moeda, de Lisboa.
Há muito ouço, pelas minhas andanças
em salas de aula no Instituto Superior Politécnico e através dos famosos boatos
são-tomenses, consagrados pela poesia de Alda do Espírito Santo, no seu
“sagrado solo”, que neste país não existe uma literatura digna de menção
detalhada em livros didáticos do ensino básico ou liceático, e até mesmo que há
pouca literatura para ser estudada em sala de aula por alunos do ensino
superior da área das Letras, justificando, dessa forma, menos espaço para a
análise dela nas grades curriculares.
Presumo que tenha me deparado aqui
com um erro – ou com uma possível falta de informação: desde que cheguei a São
Tomé e Príncipe, em setembro de 2009, venho pesquisando a sua literatura, não
apenas por ser essa a minha área de atuação, meu trabalho e minha verdadeira
paixão, mas também porque senti a necessidade de desmentir tais boatos e de mostrar, pelo menos aos meus alunos,
entre as quatro amplas paredes de uma sala de aula num instituto superior que
existe, sim, uma literatura e o estudo dela os fará ser os cidadãos críticos da
sociedade são-tomense futura.
Talvez seja hora de olhar para
dentro de si e se perguntar: quem verdadeiramente sou? Quem eu quero ser?
Acredito na literatura, sem
romantismos ou ideologias utópicas de minha parte, como uma eficaz fonte de
tomada de consciência histórica, nacional e linguística. Não venho aqui dizer
que a literatura pode salvar a humanidade, mas ela pode salvar um indivíduo:
ela abre as mentes, ela incomoda, põe-nos a pensar, a questionar paradigmas,
dogmas sociais e políticos, ela nos faz pensar de forma independente, ela
cresce em nós à medida que é desvelada. E ela cresce nas ruas e nos discursos à
medida que é estudada e trazida à luz.
No Brasil, desde a década de 1920,
vimos construindo uma pátria literária:
sobrepujamos a necessidade obsessiva da auto-afirmação, já não questionamos, a
um molde negativista, nossa identidade plural, mestiça, já não alimentamos
fantasias colonialistas ou rancores xenofóbicos. Para tanto, precisamos, antes,
valorizar o povo que fomos e construímos, precisamos levar para as elites
políticas e sociais a língua do mestiço, a língua brasileira, falada nas ruas,
cantada nas nossas músicas; língua nova, revelada pelos artistas do Modernismo.
Com esta língua nos reconciliamos com a nossa origem, com as nuances de nossas
cores, com nossos vários sotaques, enfim, com o que hoje podemos chamar Pátria.
São Tomé e Príncipe, apesar da
distância geográfica em relação ao Brasil, teve um percurso um tanto quanto
parecido com o nosso: história de colonizadores e heróis, história de
mitificação da história, de luta e
revolução com palavras, de frontalidade com a realidade. É claro que não posso
comparar a história de uma nação de quase duzentos anos com a de outra de 37
anos. No entanto, sinto que a passos largos, os são-tomenses, ainda que muitas
vezes de maneira inconsciente, têm buscado conhecer-se, situar-se no mundo
atual. Se não conhecer-se, ao menos encontrar-se.
Talvez a literatura possa apontar o
caminho dessa busca, mas é preciso voltar ao séc. XIX e esclarecer o
posicionamento ideológico e cultural de seus artistas, obscurecidos pela
política colonial à época, e mais tarde, oprimidos por um regime que coibia a liberdade
de expressão. É uma história de traumas, mas não menos de lutas e resistência.
Caetano da Costa Alegre, tantas
vezes obliterado no seu solo pátrio por Francisco José Tenreiro (que seja a ele
dado o lugar devido, claro) viveu em
São Tomé e Príncipe, mais precisamente na ilha de São Tomé. Viveu aqui 19 anos
e foi estudar na Metrópole, nos finais do século retrasado. Defrontou-se e
confrontou-se com uma sociedade branca, racista, de mentalidade opressora.
Sentiu, no entanto, a poesia correr em suas veias e encontrou nela uma via de
liberdade de expressão. Foi um homem negro que trabalhou com as palavras a antítese frisante de que nós todos,
seres humanos, ora somos compostos. Não rejeitou a sua cor ou a sua
nacionalidade; exaltou a beleza da mulher negra, sentiu as tristezas próprias
de um jovem rejeitado pelas mulheres da metrópole, enveredou-se pelo
naturalismo – influenciado, talvez, pela sua relação com a medicina – desvelou
o homem, idealizou o amor romântico, tratou das questões da cores negra e branca
como material artístico.
Acredito em processo literário, assim, acredito que, muito mais que “fundar”
uma literatura são-tomense, Caetano da Costa Alegre fez parte deste processo de
tentativa de inclusão sua e dos demais leitores de seus Versos, mais tarde, numa sociedade outrora desigual e opressora.
Hoje, no entanto, podemos chamar os Versos
de obra fulcral para compreensão do sentimento de um homem negro numa sociedade
racista. E para, em processo de maturação, compreendermos os homens todos, vivendo
juntos, homens mestiços na pele e no pensamento, inventando um modo novo de ser
e estar no mundo, com apenas 37 anos de idade.
Assim, volto ao ponto inicial, pois,
como já disse antes, caberá à professora Sónia Almeida falar mais sobre o poeta
da noite: Caetano da Costa Alegre, como muitos outros que vieram depois dele e
viveram verdadeiramente São Tomé e Príncipe, são dignos de figurarem em nossas
salas de aula, em nossas conversas diárias, em nosso imaginário mítico, ético,
político e social. Basta que se acredite nesta nação em processo. Olhar para
dentro de nós mesmos, investigar os cantos de nossa nacionalidade, colocar de
lado o nacionalismo indeciso e incerto: a arte literária proporciona a
organização e a maturação de tais pensamentos, incomodando-nos à exaustão, como
que gritando: “existimos”.
Nesta noite eu convido a todos que
aqui estão a conhecer Caetano da Costa Alegre, o poeta que da Europa mostrou
que São Tomé e Príncipe existe, que possui suas idiossincrasias como todo país,
e que, hoje, é uma nação em processo de reconstrução identitária e em franco
processo de valorização de si mesma.
Muito obrigada.
Naduska Palmeira
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Em dia de "Versos"
A Embaixada
brasileira em São Tomé
lançará, em 9 de novembro próximo, edição de Versos, do poeta santomense Caetano da Costa Alegre.
Fruto da
cooperação cultural brasileira, o lançamento visa ao preenchimento de duas
lacunas: a primeira, mais objetiva, a ausência de edição lançada em solo
santomense; a outra, a divulgação aos estudantes e amantes da cultura de São
Tomé e Príncipe dessa obra fulcral, produzida pelo primeiro escritor da terra cuja
lembrança resiste à passagem do tempo. Nesse sentido, a Embaixada brasileira
destinará livros a liceus, institutos superiores de ensino e instituições
ligadas à educação e cultura.
Caetano da Costa
Alegre aqui nasceu em 1864, vivendo em sua terra até 1882, quando se muda para
Portugal a fim de estudar medicina, falecendo naquele país em 1890. Sua obra,
preservada pelo amigo e jornalista Cruz Magalhães, caiu no gosto popular da
virada do século 19 ao 20, em função principalmente de seus temas românticos e,
contraditoriamente, da abordagem de outros, chocantes e de vezo naturalista.
Costa Alegre interessa muito e especialmente também pela tematização étnica: negro
numa sociedade elitizada europeia, transbordou para seus versos uma percepção
complexa da alteridade. Muitos críticos o julgam apenas um recalcado, que
plasmou seu complexo de inferioridade em versos; outros, porém, ultrapassam
essa leitura meramente psicológica e enxergam no autor uma espécie de farol que
ilumina um momento de integração contraditória dos africanos no sistema
cultural ocidental, algum tempo antes da onda negritudinista de Césaire e Senghor.
O livro contará
com prefácio crítico de minha autoria, cujas ideias básicas serão brevemente
expostas ao público no lançamento, que contará igualmente com minha colega de
Instituto Superior Politécnico, a professora santomense Sónia Carvalho, autora
de dissertação de mestrado sobre o autor, defendida na Faculdade de Letras da
Universidade Clássica de Lisboa.
Feche-se com “Visão”,
poema dessa referencial obra da cultura de São Tomé e Príncipe:
Vi-te passar, longe de mim, distante,
Como uma estátua de ébano ambulante;
Ias de luto, doce, toutinegra,
E o teu aspecto pesaroso e triste
Prendeu minha alma, sedutora negra;
Depois, cativa de invisível laço,
(o teu encanto, a que ninguém resiste)
Foi-te seguindo o pequenino passo
Até que o vulto gracioso e lindo
Desapareceu, longe de mim, distante,
Como uma estátua de ébano ambulante.
Naduska Mário Palmeira
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